12 de março de 2010

Vida !




Aos 77 anos, como é natural, aparecem-nos todas as
> mazelas.Insignificâncias,
> uma dor aqui, uma dor ali, nas costas, na perna, na cabeça, uma
> pequena coisa
> na pele, na unha, no olho. Não ligo nenhuma. Porque a minha
> pior mazela é
> não acreditar que tenho 77 anos.
> Eu bem me farto de dizer aos quatro ventos a minha idade para
> ver se
> interiorizo esse facto,mas, por dentro, estou na casa dos
> trinta, vá lá quarenta,
> e não passo daí.
> Setenta e sete anos? Que louura!
> Tenho sempre tanta coisa para fazer, para acabar, para ler,
> para escrever,
> tanto lugar para visitar. Tanto Museu para ver e depois as
> mazelas - aí!-,
> mas vou, porque tenho trinta anos e, evidentemente, tenho que
> ir.
> Não tenho a noção de ser uma senhora velha. Digo "estava lá uma
> velhota",
> ou "imaginem que uma velha"...Estou a falar de pessoas
> provavelmente mais novas do que eu, mas não me enxergo.Até
> quando irá
> durar esta idade subjectiva que não me deixa envelhecer
> tranquilamente.
> Só quando me oferecem o braço (já caí na rua e parti a perna,
> mas nem assim...),
> quando não me dirigem galanteios(que estranho!),acordo para a
> realidade,
> aí, é verdade, tenho 77 anos, que maçada...
> Ultimamente, tive (ou tenho, ainda não percebi)cancro de mama.
> Como acho
> que Deus não me ia mandar esta doença só para me chatear, abri
> uma
> campanha de sensibilização(televisão incluida), para que as
> mulheres
> façam mamografias, Transformei a porcaria da doença numa coisa
> positiva.
> Passei os trâmites habituais operação, radioterapia, etc. tudo
> pacífico.
> Ainda por cima , o médico disse-me que era pouco provável que o
> cancro
> me matasse, porque, na minha idade, as células já não são o que
> eram...
> Aí, sim?
>
> Tenho 77 anos, que alegria!

Rosa Lobato de Faria

1 comentário:

Anónimo disse...

é um quebra cabeças, esta coisa do tempo que nós somos... por dentro, por fora, de alma, de coração, de asas.

Também li algo de mt idêntico através da Maria Filomena Mónica.

E as histórias repetem-se... para avisar os mais novos, que o tempo para cada um de nós, é efémero e não se pode desperdiçar.

Felicidade, é para estas mulheres, a caduquice do corpo, bater-lhes à porta com quase ou mais de setenta anos.

"Aproveitemos o dia"... pois então.